Breves crônicas
O inverno ainda não se aproxima do fim, mas começo a notar variações no canto do sabiá, antes monótono, agora vibra alegremente desde cedo. O macho se esforçando para impressionar a fêmea. Os dias estão frios pela manhã, todavia esquentam mais de uma dezena de graus à tarde. A cantoria das aves na rua Viçosa destaca não apenas o pássaro-marrom, como também bem-te-vis e asas-brancas. Eles aproveitam as árvores que colorem o concreto, resistindo à selva de tijolos que se multiplica na região.
Assim como as árvores, a serena euforia encontra espaço em meu ser, imune aos ruídos, à temperatura e às cores. A marreta na construção, o vento na janela ou a poluição não incomodam o sentimento maior que preenche a minha mente. A sensação, como o cortejo do sabiá, se destaca da monotonia da consciência, cativando o pensar com seu eloquente andamento.