Wingene Logo, polígono regular de 12 vértices (12/5- vermelho (a herança ancestral)) e estrelas geradas com (12/4 - verde,12/3- amarelo e 12/2- azul (o espírito material), 4 cores, 4 pilares do método VIDA)

Wingene

Felicidade é criar o futuro ancestral.

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Crônicas 1

Alvorecer

Marcos acorda com o som do seu moderno aparelho. Com a agilidade que o torpor permite, prepara-se para o exercício. Seu treinador avisa da sua iminente chegada. Pão com queijo, leite puro e ele está pronto.

Terminado o treino, retornando ao seu lar, encontra Sílvia. Conversam sobre a série que ela acompanha. Aproveita para lembrá-la: — não vá esquecer de colocar os fones para carregar. Ela concorda com um gesto e diz: — Sr. Marcos, precisa comprar ovos. Ele pontua — veja se precisa de mais alguma coisa. Sílvia olha a geladeira pensativa. — Podia comprar uma linguiça calabresa, assim posso preparar uns pães para o jantar.

Antes de sair, Marcos se envolve no ritual do café matinal, pesa os grãos e os mói manualmente, enquanto aquece a água. Em seguida, com um papel triangular, extrai o saboroso líquido. A xícara exala o perfume caramelo escuro. Degusta calmamente a bebida, com pausas serenas, apreciando o berço de cada gole, circundado pelo sossego da sala vazia.

Na rua, o gosto amendoado ainda presente se mistura com o aroma das árvores e o cheiro dos automóveis. O calor invade o seu ser. Ágeis vassouras varrem as calçadas, cercando a sujeira e espantando os pombos que caminham ao redor. Ele chega ao destino, a porta automática se abre.

No luxuoso mercado, o frio artificial invade seu corpo. Marcos se dirige à casa dos embutidos, escolhendo a calabresa, atento aos detalhes da embalagem. Sem se distrair com o apelo comercial das gôndolas brilhantes, busca os ovos e caminha até a saída.

Retorna tranquilo, observando o colorido que pinta a natureza. Chegando ao seu destino, esvaziava a sacola cuidadosamente, quando Sílvia o interrompe sem jeito, dizendo: — Esqueci de dizer que não tinha farinha. Marcos sorri e pensa: nova trilha às prateleiras, novos detalhes a viver.


Sílvia começa seu dia antes do alvorecer, se apronta rapidamente, passando café e preparando a mesa. Antes que a família acorde, já está à espera do ônibus. Em poucos minutos, o farol do coletivo rasga a escuridão da rua deserta. Uma viagem de 40 minutos até o terminal. Passa o tempo vendo sua série no modesto celular, seus fones abafam o burburinho. Olhos e ouvidos atentos seguem a série romântica, o tempo corre rapidamente.

No terminal, ela guarda os aparelhos, ciente da dificuldade de um desejado assento. Após 20 minutos na fila, uma vaga para uma longa viagem de pé. Nos demorados 50 minutos, a monótona paisagem urbana desfila sem graça e barulhenta. Enfim, chega ao centro da cidade, enfim pega o veículo que seguirá até o bairro de Marcos.

Caminha alguns quarteirões e chega ao prédio. Na cozinha, a chaleira intocada esperava seu dono. Que bom! Chegou antes dele terminar o treino matinal. Ajeitava a mesa do café quando Marcos abriu a porta da sala. — Bom dia, Sílvia! Ainda assistindo àquela série? — Sim, seu Marcos, ela é muito boa. — Vi alguns episódios, mas prefiro ver filmes.

Marcos prepara o seu café com a meticulosidade habitual. Sílvia sente o aroma, notando que o patrão havia coado uma porção generosa. Sabendo da resposta, pergunta: — Posso experimentar? — Claro, Sílvia, está mesmo uma delícia — responde Marcos. Sentada na copa, saboreia a bebida, observando nos galhos da árvore os pássaros. Seu pensamento voa nas sensações, sua face ensaia um sorriso puro. Esse sentimento permanece enquanto segue preparando o almoço.

Quando está quase tudo pronto, pensa no bolo. Procura a farinha e não encontra. Será que o seu Marcos poderá voltar ao supermercado? A rotina interrompida permite ao seu coração contemplar a beleza que invade a janela. No parapeito, os viçosos vasos que cultivou.


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