Ipês e Tijolos
Baleias e marujos
Vivemos em um mundo onde as desigualdades econômicas e sociais são geradas por estruturas de poder injustas. Colossais barreiras econômicas e sociais impedem que a maioria progrida pelo mérito ou esforço individual. Grandes baleias detêm em suas mãos as maiores empresas, definindo a rota das mesmas no oceano do capital. Açoitando os marujos, que batalham em busca de um ínfimo soldo.
É preciso leis modernas e justas e de uma gestão eficiente para regular a força das baleias. Assim, pode-se corrigir os rumos da navegação, garantindo que marujos se tornem navegantes. Deste modo, os marujos,senhores de sua pequena embarcação, controlarão o leme de seu próprio destino. Não se trata de caçar as baleias, mas de limitar seu domínio sobre as correntes. Para isso, o acesso aos recursos é essencial: mapas confiáveis, velas resistentes, portos seguros onde atracar. Os temidos donos dos oceanos podem continuar sua trajetória, no entanto, sem controlar todas as embarcações.
O oceano jamais será completamente sereno — tal promessa seria ilusória. Mas a tempestade não precisa engolir apenas os que nasceram sem navio. A navegação mais justa exige coragem para repensar as estruturas: por que alguns mantêm frotas inteiras enquanto outros sequer possuem um remo?