O cascudo e outras histórias
O relógio de bolso
Marcos passava muito tempo brincando na fazenda do vovô Aurélio. Mas o tempo na fazenda não era somente de correrias no quintal, passeios ao rio, colheitas no pomar e visitas ao curral. Marquinhos também passava muito tempo conversando com o avô em seu escritório. Em meio a tantos livros e papéis, havia um armário grande onde o avô guardava documentos e objetos de valor. Sempre que podia, vovô Aurélio pegava no armário uma caixa de madeira pequena, muito bonita. Ele a abria e mostrava para o neto um relógio de bolso, dourado e pesado, que ficava guardado nela.
— Vovô, por que este relógio não funciona? — O avô sorriu e abriu a tampa do objeto. — Porque ele está sem força. Para funcionar, ele precisa de uma coisa que só a gente pode dar: atenção.
Vovô Aurélio entregou a Marcos o relógio. Ele mostrou ao neto como dar corda, girando um botão devagar. Subitamente, o ponteiro dos segundos começou a se mover. — Viu? — disse o vovô. — O relógio é uma herança que recebi do meu pai, que recebeu do meu avô Geraldo. Os relógios de bolso eram muito valiosos. — Agora eu sei dar a atenção que ele precisa. — afirmou Marcos, entusiasmado. — Saber disso também é uma herança, a mais importante.
Marcos olhou para o velho relógio. O ponteiro girava suave — seu pensamento refletia cada segundo.