Wingene

🔍 Pesquisa Sobre o autor

Wingene

Tecendo a vida: criando no íntimo uma obra pessoal

A arte de viver requer aprendizado constante. Cada pessoa constrói sua vida como obra única, tecida com as experiências e solidificada com o conhecimento, o tempo e o futuro. A felicidade surge ao descortinar o véu da ignorância ante a beleza do trabalho que se tece. Cabe ao artífice da vida aprimorar a sua capacidade na criação do valioso tecido — que se gesta nas vitórias e fracassos, amores e desavenças.

Brincando e fazendo arte

Começando a aprender desde os primeiros anos de vida, o ser humano, mesmo sem saber, já começa a entrelaçar o colorido na sua consciência. Brincando no mundo de fantasia, gradualmente vai formando na sua mente belas imagens. Rabiscos e aventuras moldam no seu íntimo uma concepção própria do mundo que o rodeia.

Primeiro com os pais e amiguinhos, posteriormente com professores e colegas de escola, as brincadeiras que lhes são apresentadas acompanham o seu crescimento. Cabe aos mais velhos a responsabilidade de cuidar para que essas sejam instrutivas e colaborem para o desenvolvimento da criança, pois os primeiros anos serão fundamentais.

Com lápis coloridos e brincadeiras — surge um mundo de fantasia. Um mundo de leões com corpo de serpente e hipopótamos alados, que deve ser respeitado pelos adultos. No entanto, eles podem, em sensíveis observações, ser um farol de sensatez, guiando a curiosidade infantil com reais e lúdicas explicações. Assim, o desenho dos seres imaginários servirá a outro propósito — o aprendizado de adultos e crianças, unindo a tinta colorida aos fios luminosos da razão.

Atualmente, os desafios para os pais e educadores são crescentes. Crianças nascidas no mundo digital estão cercadas por telas eletrônicas. O estímulo brilhante e realista dessas telas cativa a mente. Além disso, para muitos, é mais fácil deixar os pequenos jogando ou vendo um desenho do que brincar com eles ou ensinar brincadeiras clássicas.

A libertação da influência digital mostrará aos pequenos o verdadeiro mundo, no qual poderão criar a obra de suas vidas. Criada não com algoritmos, mas com os frutos do conhecimento que brotarão nos pequenos, regados com o calor do afeto e cultivados com a lúdica magia.

Incertezas da adolescência

Mas o tear da vida não para, um artista em amadurecimento continua seu trabalho com os novelos da vida. Nessa fase, as dúvidas tornam as escolhas mais difíceis. Críticas de colegas e amigos aumentam ainda mais a insegurança. Inevitáveis comparações se apresentam no convívio pessoal. Como saber se o colorido da infância moldou um valoroso caráter?

Novamente, a tecnologia e as redes sociais estarão presentes. Deixando, na maioria das vezes, de estimular pontos importantes, para estimular postagens narcisistas em detrimento de conteúdos filosóficos. As belas teias coloridas da infância dão lugar aos frágeis fios da incerteza. As cordas do mundo digital amarram o jovem aprendiz, e as poéticas páginas literárias tornam-se escassas.

Na tentativa de se engajar com a maioria, o jovem perde o fio da meada, se enrola no novelo das críticas. Perdendo seu tempo, esquece-se da obra de sua vida. Porém, a base construída desde a infância consegue indicar o caminho, permitindo seguir em frente. Nesse instante, o exemplo de pais, mestres e amigos será uma poderosa força.

Desafios da vida adulta

Seguindo em frente, a tapeçaria mental já exibe resultados da obra que abriga. As convicções apresentam indeléveis padrões que moldam a conduta. Avistando múltiplos novelos, matérias-primas para construir futuros, o adulto precisa escolher os que lhe atraem. Dentre eles, na prateleira das vocações, repousam os múltiplos destinos profissionais. Acessar aqueles mais desejados nem sempre é possível. Buscar o ofício almejado pode se tornar uma luta de tentativas frustradas.

A base alcançada desde a infância e a maturidade servem para definir um rumo. Na luta diária, apesar das lacunas ainda existentes, dos fios quebrados das infrutíferas batalhas, as vitórias aparecem. O aprendizado constante traz novos elementos para o sucesso profissional. De posse de novas cores, a mente se capacita para vencer esses desafios. Estudando para uma carreira que lhe agrade, o artista pode tecer uma trama nova no tecido de sua vida. Uma trama que harmonize com o todo e lhe traga o prazer de uma realizadora profissão.

Surgem os primeiros relacionamentos, frutos da busca por um par que ressoe com a tapeçaria em constante construção. Muitas tentativas se destoam, rompem-se laços que pareciam firmes, mas que não ecoavam no ritmo do ser em evolução. Obras parecidas em estilo, mas com outras inspirações.

Tecendo uma vida a dois

A vida ganha outro sentido quando duas cordas especiais entrelaçam-se na bela tapeçaria de amor conjugal. Forma-se um casal que sustentará sua força na ação do verbo amar, que, sedimentado no individual, tece padrões comuns. Os laços da união tornam-se adições harmônicas à trama pessoal original.

Desentendimentos entre o casal — um esquecimento ou uma palavra amarga — laços quebrados interrompendo a obra conjunta, precisam ser reparados com delicadeza. A nova obra, repleta de elementos de dois artistas, deve manter seu conteúdo inviolável — a intimidade do casal deve ser preservada da inveja e maldade alheia. Uma tarefa difícil diante do apelo da vida digital, cercada de algoritmos ávidos de exposição.

Guiando uma família, o artista precisa equilibrar diversas responsabilidades. O tecido mental, agora mais completo, precisa ser cultivado com sabedoria para que as experiências, sejam elas alegrias ou tristezas, contribuam para o crescimento e a formação de um caráter resiliente. As escolhas se tornam mais definitivas, e o artífice percebe que cada fio entrelaçado de sua existência é parte de uma obra que impacta não somente a si, mas também o mundo ao seu redor.

Os fios escuros

Na jornada da vida, fios escuros se integram à obra. Não há como evitá-los. São o retrato de tristezas que fazem parte do caminho. Decepções em relacionamentos que deixam desconfiança, doenças inesperadas que tingem a tapeçaria com a cor do medo. O saudoso fio prateado de um familiar que se despede no último suspiro do bondoso coração. Pode-se pensar que não deviam existir, mas a obra ganha força com eles. Reconhecê-los como parte da vida torna o artista mais completo. Existem para contrastar com o colorido, realçando sua beleza.

O artífice da vida, com a maturidade, compreende a sua obra em toda a sua amplitude. As experiências passadas, sejam elas alegrias ou desafios, são agora vistas como partes essenciais da tapeçaria. O arrependimento dá lugar à aceitação. Sua mente se torna um jardim maduro, onde as ervas daninhas são podadas com serenidade e as árvores antigas de suas experiências oferecem sombra e amparo, revelando a beleza da narrativa completa de sua existência.

Integrar a dor, tecer com ela, transformá-la em sabedoria: este é o desafio. Os fios escuros contam histórias de superação, marcam momentos de crescimento forçado, revelam a força oculta que só emerge diante do sofrimento. Sem eles, a tapeçaria seria rasa; com eles, torna-se monumento à resiliência humana.

A dança eterna

Cada dia é uma nova oportunidade de entrelaçar fios, de burilar a obra-prima da própria existência. A mente permanece em constante transformação, abrigando novas compreensões e novas cores. O artista, ciente de sua infindável tarefa, abraça os desafios e as alegrias. Celebrando cada momento, a tapeçaria flutua com a leveza de uma dança que se aprimora a cada respiração. Nesse estado de atenção consciente, a cada movimento a obra se ilumina. E assim, no estado de plena felicidade, percebe que a obra, mesmo inacabada, sobreviverá ao seu criador.

O artista da vida não tece sozinho. Seus fios entrelaçam-se com os de outros — pais, filhos, amigos, mestres. A obra individual ressoa com obras alheias, criando uma tapeçaria coletiva que atravessa gerações. Cada gesto consciente enriquece não apenas a própria vida, mas a herança transmitida às próximas gerações. E assim, mesmo inacabada, a obra sobrevive ao seu criador: vibrando em harmonia no compasso da humanidade.

Essa dança tem um nome: Wingene — fruto das virtudes que cada geração tece e transmite. Mais que conceito, Wingene é uma visão de mundo, um caminho prático para a felicidade pelo aperfeiçoamento do tecido pessoal e coletivo. Nas páginas seguintes, exploraremos esse conceito em profundidade, desde sua raiz filosófica até sua aplicação cotidiana.


Wingene: Felicidade agora, futuro ancestral >>