Ipês e Tijolos
Pavimentando o futuro
A humanidade pavimenta a rota para o futuro com a evolução cultural e moral. No entanto, essa estrada tem desvios perigosos. Pensamentos extremistas e pseudocientíficos causam retrocessos, enquanto a desigualdade freia o progresso coletivo, criando buracos onde muitos tropeçam.
O mundo cada vez mais conectado é uma revolução sem precedentes. Porém, há uma avalanche de conteúdos que soterra as vias: mensagens falsas põem em risco a democracia, promessas de panaceias enganam os incautos, movimentos antivacina ressuscitam doenças que haviam sido vencidas. A desinformação espalha-se como erva daninha sobre o asfalto, impedindo o avanço. Essa erosão não é acidental. O sistema atual mantém estruturas que sustentam privilégios de poucos às custas da maioria. Fomenta conflitos e boicota a busca por um futuro sustentável, utilizando a própria desinformação para o seu proveito. Os mais poderosos desviam a rota, enquanto a multidão caminha em círculos.
A rota pode retomar seu curso. Investimentos massivos em educação científica desenvolverão a capacidade crítica, evitando a propagação dessas inverdades. A regulamentação das plataformas digitais e políticas redistributivas permitirão a gradual diminuição da injustiça social. Assim, o conhecimento necessário se tornará mais comum, pavimentando com discernimento a estrada para tempos melhores.
Mas seria ingênuo acreditar que a pavimentação será concluída em nossa geração. A estrada é longa, e cada pedra colocada hoje poderá ser arrancada amanhã por aqueles que lucram com o caos. Mesmo assim, vale a pena pavimentar. Porque o futuro não se constrói sozinho — exige mãos que trabalhem, mentes que pensem, e coragem para enfrentar quem prefere o mundo em ruínas.