Crônicas 2
Tapete de algodão
Marcos sempre caminhava até a escola. No trajeto, passava pelo prédio de Ricardo, de onde seguiam juntos. Desconhecidos no primeiro verão, nesse momento de alegria, celebravam a força da amizade. Paineiras enormes frutificaram em paina, marcando o passo das calorosas conversas. Histórias das proezas das atletas de seu esporte favorito eram pontuadas com observações apaixonadas sobre as garotas, belas jovens do colégio. Tímidos, paqueravam, sem coragem de declarar o sentimento que nutriam.
As painas caídas formavam um delicado tapete escondendo o verde da grama onde deitavam. As árvores, despidas de folhas, choviam o branco incessantemente. Os amigos observavam essa cena com a felicidade típica das jovens e despreocupadas almas.
Durante os quinze minutos de conversa, no passo firme da mocidade, uma pausa na padaria para um gole de refresco e mais motivo para se entrosar. Já viviam meses do novo colégio, mas o assunto sempre rendia. Combinavam fins de semana de peteca, Ricardo, o mais alto, sempre vencia, mas o importante era a companhia. Naquela época, quase não existia videogame, e a conexão era o telefone.
Os anos passavam, o branco das árvores pintava os passeios. Os velhos amigos levam os filhos em veículos modernos — novos estudantes que já não notavam a beleza natural, sentados e vidrados nas telas que empunhavam. Não havia caminhadas, nem o saudável calor das petecas.
Um sábado letivo uniu os velhos amigos, conversa animada, o convite para o jogo. No dia seguinte, Marcos e seu filho Pedro encontraram Ricardo e Alex na velha quadra. Um jogo de duplas, alegria no esporte, esperança de nova vida. Pintando o futuro na textura do branco.