Wingene

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Crônicas 3

Vestido azul

Um frio artificial penetrava meus braços. Os olhos ardiam. Uma dezena de cadeiras laranjas. Eu, uma mãe e sua filha — que zanzava entre os assentos com seu vestido azul. A médica chega apressada, desculpando-se. Um desenho infantil brilha na tela. Ninguém liga, nem a menina. Quer brincar em seu mundo de descobertas — explorar o futuro agora.

O florescer da vida enche os espaços. Assim como a menina ocupa várias cadeiras, a alegria preenche minha mente. Agora mesmo, nesta sala que espera, minha mente vibra nessa cena. Pensamentos que alimentam a alma, saciando o ser. O vestido azul é um símbolo de minha felicidade momentânea.

A pequena ensaia um choro de reclamação. Sua alma protesta contra a monotonia, que não condiz com a urgência infantil pelo novo. Ela quer novidade — inata vontade. Assim demonstra a menina que prende meus olhos com seu vestido azul.


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