Crônicas 1
Quebrando a monotonia
No horizonte, o ocaso do sol atrás das construções distantes. Poucas nuvens no céu tornam o espetáculo ainda mais bonito, adicionando tonalidades ao céu azul-claro. Prédios multicoloridos, de diversos tamanhos e arquiteturas, brotam do chão. Alguns mais baixos mostram seus telhados marrons. O verde-escuro das árvores esconde as ruas e calçadas. Dois urubus esvoaçam de um canto ao outro, fazendo círculos no ar. Sobem alto, à procura de algum alimento. Esse deve ser o último voo do dia. A noite deve chegar logo. O barulho do trânsito aumenta. Jovens começando a curtir os rolês, gente retornando aos seus lares.
Essa paisagem única anuncia o iminente anoitecer.
Algumas horas depois, as luzes dos prédios se acendem, assim como a iluminação das ruas, os urubus somem. Os lares vivem a noite, bem como os bares e restaurantes. O movimento continua nas escolas e faculdades.
Nos pores do sol que virão, as nuvens e árvores diferirão do agora, até mesmo os prédios podem mudar. Os urubus farão voos diferentes, quem sabe voarão em horizontes distintos. No emprego, seu ganha-pão, pessoas viverão novas experiências. A juventude alegre se encontrará no fim do dia, experimentando outros prazeres, estudando e aprendendo novidades. Os pais ouvirão dos filhos narrativas novas, algumas anedóticas, enchendo de alegria e amor seus corações.
O ciclo se repete, mas o que se vive em cada instante é único.
A vida apresenta nuances sutis. Um prédio pode surgir longe dos nossos olhos, sem ser notado. No entanto, situações memoráveis como um filho que aprende a andar, pronuncia a primeira palavra ou passa de rabiscos no papel à escrita do próprio nome. São eventos que permanecem gravados na nossa mente. Esses momentos inesquecíveis dão mais cor à vida, mas assim podem ser, também, as nuances, como uma tonalidade a mais no pôr do sol do dia seguinte. A monotonia pode existir em nós, mas cada dia traz uma experiência diferente. O mais importante é encontrar esse colorido tão especial — existir é perceber os detalhes que quebram a monotonia, de um pôr do sol inédito à melodia inesperada de um pássaro.