Wingene Logo, polígono regular de 12 vértices (12/5- vermelho (a herança ancestral)) e estrelas geradas com (12/4 - verde,12/3- amarelo e 12/2- azul (o espírito material), 4 cores, 4 pilares do método VIDA)

Wingene

Felicidade é criar o futuro ancestral.

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Crônicas 2

Realidade na mesa de todos

Carlos, Pedro e Marcos são velhos amigos que viveram juntos momentos especiais da juventude. Agora, amadurecidos pelo tempo, têm posições distintas sobre o melhor caminho para a sociedade moderna encontrar seu melhor futuro. Atribulados pelo dia a dia, conseguiram, enfim, marcar um encontro. Marcos chegou alguns minutos mais cedo, procurou uma mesa sossegada, reservando-a para três lugares. Enquanto aguardava, sentou-se e passou a folhear uma revista com uma reportagem instigante com novidades científicas. O restaurante era sossegado, mesas de madeira contrastavam com luminárias modernas que iluminavam com uma luz morna e agradável.

Pedro chegou pontualmente e começaram a conversar: — Quanto tempo, meu amigo! Exclamou enquanto Marcos se levantava para cumprimentá-lo. — É mesmo, Pedro, fazem uns 20 anos, não é? Você continua trabalhando como engenheiro? — Sim, faço projetos elétricos. E você? — Continuo trabalhando com informática e trabalho como voluntário em uma escolinha. — Que legal, deve ser muito bacana! — Demais, as crianças são muito afetuosas. — Muito bom, o mundo precisa de gente como você. Continuaram conversando enquanto aguardavam a chegada de Carlos. Aproveitaram para pedir umas batatinhas e suco para a garçonete.

Um tempo depois, a garçonete chega com as batatas. O aroma das fatias amarelas delicadamente cortadas convidava o paladar. Pedro comentou: — Aqui no nosso país, esses trabalhadores ganham uma miséria. Marcos concordou, completando: — Nem me fale, e esses motoqueiros que arriscam a vida por uma entrega? Pedro, pensativo, ficou feliz de ver como o pensamento do amigo ecoava em seu íntimo. Instantes depois, Carlos chegou. — Desculpem o atraso, pessoal, estava em reunião com os fornecedores. Marcos se antecipou, dizendo: — Imagina, eu e o Pedro nem vimos o tempo passar, pedimos um tira-gosto, aceita? Carlos tomou seu lugar na mesa.

— Carlos, eu e Pedro estávamos falando da injustiça social. — Isso não existe, se batalhar, qualquer um cresce. — Vai me dizer que você é contra a ajuda do governo aos mais pobres? — disse Pedro. Nem foi preciso perguntar, o colega fez uma expressão séria, lançando um olhar reprovador para Pedro. — Vamos pedir? Eu gostei desse salmão aqui, disse Marcos, mostrando o cardápio e quebrando o clima tenso. Os demais passaram a olhar o cardápio, escolhendo os pratos. Fizeram o pedido.

Após algum tempo, refeitos os ânimos. Carlos, ainda irritado, tomou a palavra, dizendo: — As empresas garantem sucesso aos que batalham, quem precisa da ajuda do governo é porque não quer trabalhar. — Não concordo, sem o governo, muitas necessidades básicas serão deixadas de lado. Ponderou Pedro, alterando a voz. — O crescimento da economia resolve isso. Disse Carlos, visivelmente irritado. Marcos tomou a palavra: — A solução tem que passar por um meio-termo, o estado precisa investir, no entanto as empresas devem ter seu espaço. Imaginem um mundo em que qualquer pessoa possa comer esse salmão aqui sem comprometer o salário do mês. Os outros se entreolharam, então Carlos, ainda reagindo, disse: — Isso é utopia.

Um silêncio incômodo persistiu por alguns minutos. Até que Marcos continuou: — A perfeição é utopia, mas um mundo melhor é possível. Carlos, mais calmo, ponderou: — Talvez… talvez haja espaço para empresas mais conscientes… Pedro completou: — E um estado mais eficiente… Os três se entreolharam e, pela primeira vez, viram não adversários, mas companheiros buscando o mesmo objetivo por caminhos que podiam, sim, se encontrar. A mente dos três passou a enxergar as falhas no que defendiam e como poderiam ser complementares. Carlos se serve com um pouco de suco e oferece a Pedro. A serenidade das lâmpadas mornas invade o íntimo dos amigos.

Enquanto dividiam a sobremesa, o salmão no cardápio já não parecia um prato tão distante da realidade de todos.


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