O cascudo e outras histórias
O Barquinho Amarelo
Marcos estava sentado na sala há algum tempo, dobrando e desdobrando uma folha de papel amarela. Clara, sua mãe, observava com atenção. — O que está fazendo, Marquinhos? — Um barquinho. — Que legal! Precisa de ajuda? — Não, mamãe, eu já sei fazer, vovó Dirce me ensinou. A mãe foi para a cozinha preparar o almoço, deixando o filho cada vez mais nervoso com a folha.
Marquinhos permaneceu se esforçando, sentado no chão com seu pedaço de papel. Dobrou de um jeito, virou a folha, olhou. “Começa com um chapéu” — pensou. Foi tentando, até que conseguiu dobrar a folha em um chapéu. “E agora, como isso vai virar um barco?”. Tentou dobrar os lados, mas não funcionou. “Eu sei fazer”, “Eu sei”, repetia em sua cabecinha.
O cheiro dos bifes já anunciava o almoço, quando a mãe chamou. — Espera aí, estou acabando. Lutou por mais um tempo, até que, irritado, jogou o papel longe. Seu pai chamou: — Marquinhos, o almoço está na mesa.
Emburrado, Marquinhos foi para a sala de jantar. — Pedro, o Marquinhos já sabe fazer barcos de papel. — Verdade, filho, me mostra depois. Marquinhos falou envergonhado — Eu não consegui, fiz só um chapéu. A mãe comentou: — Já é um começo, depois do almoço eu mostro como terminar. — Eu pensei que sabia…
Após o almoço, Marquinhos pegou o chapéu de papel jogado no canto da sala. A mãe mostrava como fazer as três etapas que faltavam, enquanto ele dobrava com atenção. — Agora eu sei fazer, não vou mais esquecer.
À tardinha, seu pai convidou Marquinhos para lhe ensinar a nadar e desceram para a piscina do prédio. O menino levou sua recente criação de papel. Enquanto brincava com o pai na água refrescante, a folha amarela flutuava ao lado na piscina azul. 