Wingene Logo, polígono regular de 12 vértices (12/5- vermelho (a herança ancestral)) e estrelas geradas com (12/4 - verde,12/3- amarelo e 12/2- azul (o espírito material), 4 cores, 4 pilares do método VIDA)

Wingene

Felicidade é criar o futuro ancestral.

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O cascudo e outras histórias

Rio Japão

Vovó com os netos. O pequeno Marcos e seus dois irmãos, contavam as horas para as costumeiras viagens à terra natal dos seus pais. Eles viviam intensos momentos na companhia dos avós Aurélio e Dirce. Vovó Dirce fazia quitandas de milho e de trigo, deliciosas broas e biscoitos, assados em um grande forno ao lado do paiol. Fora os doces de leite, sempre encontrados no pote da sala de jantar, que, por coincidência, ficava no caminho entre a cozinha e a entrada da casa, por mais que comessem, parecia estar sempre cheio. Do pote de doces, eles corriam pelo quintal em divertidas brincadeiras da vida do campo.

Leitura da Branca de Neve pelo vovô para os netos. O forno da vovó foi feito na própria fazenda pelo vovô Aurélio, um homem muito sábio que, na simplicidade do pouco estudo, ensinava sobre as estrelas, a lua e o sol. Criava ferramentas e construía utensílios com habilidade na bigorna e no serrote. À noite, reunia os netos para contar histórias do folclore popular. Branca de Neve era a personagem preferida dos meninos, que, apesar de saberem de cor o enredo, sempre queriam ouvir novamente.

Meninos pescando peixes com a peneira no rio. Uma das aventuras preferidas de Marcos e seus irmãos João e Arthur era passear no rio Japão. O rio de águas cristalinas e margens de areia era palco de pescarias com peneiras. Encurralados nas margens, piabas, marias-mole e lambaris saltavam na peneira, enquanto a água escorria entre os vãos da palha trançada, revelando seus corpos brilhantes. Eles sempre preparavam em uma das margens uma pequena represa, destino temporário dos peixinhos assustados.

As represas eram cuidadosamente construídas com pedrinhas e areia. Uma entrada trazia a água cristalina e a saída, cercada por pedras, deixava-a ir embora lentamente, evitando a saída dos seus moradores. Os peixes nadavam tranquilos, alegrando a pequena construção. Mais tarde, a cerca era desfeita, liberando a água para os peixes retornarem ao lar.

Vovô com os netos no rio. Algumas vezes, vovô Aurélio acompanhava os meninos até o rio. Todos recordam do dia em que, agachado, olhando o rio, perguntou: — Já imaginaram se essa água fosse petróleo? Os netos ficaram pensativos por um tempo, até que Arthur disse: — Os peixes iam morrer. João concordou: — Não vai dar para fazer represas. Enfim, Marcos afirmou: — Prefiro essa água aqui. O avô sorriu satisfeito.

Leitura das mil e uma noites para os netos. À noite, após o jantar, vovô Aurélio foi até sua estante e pegou um grosso livro, As mil e uma noites. Folheou calmamente e disse: — Hoje vou ler a história do homem que sabia a língua dos pássaros. A fábula contava sobre um homem que recebe a dádiva de entender a linguagem dos animais. Com o seu dom, o homem aprendia com os pássaros e outras criaturas. Certo dia, ele ouve os pássaros discutindo a chegada de uma seca. O homem, então, com a ajuda de amigos, consegue preservar um oásis importante — sustento para toda a vida da região durante a estiagem.


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